Sunday, July 29, 2012

Episódio 3 - "Voyager"


Episódio 3 - "Voyager"


Quarta feira era “de lei” os encontros pós-expediente com os amigos no Mastro bar para assistir o futebol e bater um papo furado, porém desta vez Ivo trocara a habitual cerveja por um aparelho de inalação e soro fisiológico devido suas perenes faringites. Em uma das telas de seu quarto passava o primeiro filme do Star Trek de 1979, remasterizado, enquanto Ivo dublava as falas ao assistir a película, seus olhares se voltavam para uma outra tela ao lado, aonde uma janela de bate papo via-se minimizada e piscante.

                                                            ***

-Espero que tenha gostado Dona Marli, volte sempre, namastê.
Ana apertava “stop” no velho micro system herdado de seu padastro, os lindos acordes das cítaras e os vocais semitonados de “Miles from India” desvaneciam no consultório da jovem massagista, ela suspirava com alívio e no fundo felicidade pelo dia agitado; “Que quarta- feria!”
Antes de chegar em casa Ana só queria alugar um filme que sua cliente havia lhe indicado, dona Marli falara muito bem de “Quem quer ser um milionário” enquanto as duas conversavam durante a massagem tântrica de tarde. Marli era uma de suas clientes mais assíduas e tinha um certo interesse pela cena cinematografica Indiana, de certo por ser casada com Tahir o dono da vendinha de esquina com o prédio de Ana.
Exausta ,Ana parou na locadora e foi direto a sessão de filmes estrangeiros, comprimentou Vilma a proprietaria do lugar , que lhe indicou o lugar exato do filme, Ana se afastou de um rapaz com ataques de tosse ao seu lado, o mesmo estava com uma caixinha de lenços umidecidos de baixo do braço e um moleton com o título do filme “Fist of Fury” estampado no peito, em uma de suas mãos o jovem segurava o primeiro volume do Jornada das Estrelas, ela fez um ar de descaso ao ver a situação do rapaz em plena quarta feira de clássico do campeonato paulista, os bares estavam lotados, mas Ana ja havia recusado o convite de sua amiga Marcinha para assistir ao Palmeiras x Corinthians, agora Ana só queria sua cama e assisstir ao seu filminho.

                   -“V’ger….Voyager”

Ivo repetia a fala em tom fanhoso junto com Capitão Kirk e amassava mais uma folha de varios lenços umidecidos que formavam um mosaico vistos de cima jogados no chão de seu quarto, era uma das partes mais emocioantes do filme para ele, ja passava o tempo do rapaz ir dormir, afinal Ivo teria que vender mais cinco multiprocessadores de frutas e legumes no dia seguinte para bater sua cota mensal, antes de ir para cama o rapaz abriu a janela do bate-papo com “salamandra_ruivinha” e viu a mensagem de Ana, dizendo que sonhara que os dois haviam se conhecido, Ivo ficou feliz com a notícia do sonho e comentou algo do tipo para combinarem de sairem e se conhecerem pessoalmente; embora ambos mal sabiam que tinham feito isso sem querer horas antes, diante de Vilma,na locadora.

Monday, June 4, 2012

Episódio 2 - "Saiunará"


Episódio 2 - "Saiunará"

-Tá lá?
Antes que Ivo pudesse responder, a bolinha de feltro preto e branca ja balançava as redes ao passar pelo goleiro caixa de fósforo do time de futebol de botao da portuguesa; sim, Ivo costumava jogar botão aos domingos na casa de seu pai, mesmo porque nos dias ensolarados os bate-papos virtuais nao ficavam tão lotados como o habitual.Ivo esbravejava com o pai, por não ter dado permissão do coroa disparar contra a sua meta, mas o velho gordo e peludo suava e gritava gol em frente ae ventilador portatil que arejava a peleja, dando um efeito de roquidao em sua voz, era assim sempre, Dona Lurdes sempre vinha com bolinhos de chuva após a partida a fim de consolar a costumeira derrota do filho.
-Ta lá?
“Estou quase”, era o que Ana gemia fingindo orgasmos com um “carinha” que conhecera na noite anterior.Após dispensar o garotão Ana acendia um cigarro e contemplava o fim de tarde de domingo, Ana Joyce era muito independente e fazia tudo o que lhe dava na telha, estava exausta, mais da noite anterior do que da recém transa mal feita.
Enquanto roia suas unhas do pé veio em sua mente a mensagem que fora esquecida na tela principal de seu computador enviada pelo cibernético viciado em Kung fu; resolveu entao responder o rapaz com um irônico "Saiunará".

Ivo não conseguia manusear o telefone celular que vibrava, com as mãos benzuntadas de açúcar e canela ele lia na pequena tela do aparelho que alguém lhe havia respondido em seu chat, sim Ivo possui um desses aparelhos em que vivem conectados as redes sociais e chats e sim, era Salamandra_ruivinha que lhe chamava. Direto para casa,nem mesmo acabara seu café com bolinhos, Ivo deixou a casa de seus pais afim de quem sabe conhecer novas amizades; chegando em seu antro tecnológico, o rapaz mal tirou seus tênis ou desabotoou o cinto da calça jeans abarrotada, foi direto para as telas de cristal liquido que em seu quarto era difícil contar nos dedos quantas tinham.
A conversa por incrível que pareça foi se alastrando de forma saudável, como as casuais introduções do dia a dia e suas costumeiras perguntas; quantos anos? O que você faz? O que você curte fazer?.
Os estereótipos foram se quebrando de acordo com que os dois se conheciam virtualmente, Ivo passou a perceber que salamandra_ruivinha, agora Ana, era muito além do personagem que criara em sua cabeça e que convenhamos, por conta desse apelido fez o pobre rapaz viajar em meros devaneios.
Ana também parecia sentir o mesmo, pois pelo entusiasmo com que escrevia nem parecia ser novata em bate-papos cibernéticos, o nerd bobo nipônico acabou se transformando em uma boa companhia para os desabafos semanais pós expediente na semana que seguira.

Monday, April 16, 2012

Episódio 1 - "Salamandra ruivinha"


Episódio 1 -  "Salamandra ruivinha"

Trá!trá!trá! (estalos de ossos), Ivo Neto acaba de ouvir seu despertador em forma de galinha tocar em sussurros  de uma bela voz feminina “Buenos dias, Buenos dias...”, porém isso deixa de ser sexy quando repetido mais de vinte vezes até que o rapaz custasse a acordar, Ivo nunca deixava de dar seus três estalos no dedão esquerdo do pé antes que levantasse da cama, segundo ele, uma vez que não os fez, seu cachorro Messias morreu no mesmo dia e ainda por cima o garoto pegou sua primeira recuperação em Ciências Sociais, desde de então para Ivo isso se tornou um sinônimo de má sorte.
Ao sair do banheiro após escovar os dentes e com mais um recorde de jatos ininterruptos de seu “xixi “matinal ( 39 segundos, indicies altos como estes aconteciam geralmente de sábados após as ressacas de sextas- feira no Mastro Bar) Era um lindo sábado que punha-se como um retrato na janela do quarto de Ivo, um dia agradável onde a cidade via-se cheia devido a emenda de feriado, um dia propício para, segundo ele... “Chatiar” na internet; demorou um tempo para que achasse seu notebook em meio a tanta desordem no quarto, fazia tempo que não o arrumava.
Após uma passada rotineira em todas as 13 redes sociais em que Ivo foi se afiliando ao longo do tempo e de apagar os seus 6 e-mails diários de sites de compra coletiva, já a vontade em uma de suas salas preferidas de um bate-papo, ele aproveitava seu sábado do jeito que pedia a deus, no instante seguinte a primeira janelinha que projetava-se no canto inferior direito do monitor do rapaz dizia: “salamandra_ruivinha acabou de entrar na sala”, ao lado do nome, uma foto de uma iguana com um cigarro na boca; aquilo chamou atenção do rapaz , que logo em seguida deu dois cliques em cima da janela e enviou um simples “Olá” seguido de uma singela carinha feliz.


                                                            * * *

Trá!trá!trá!, Ana foi mais rápida que seu padastro dessa vez na “forma de Paulo”, ao tirar o liquidificador da cabeça do rapaz em mais uma de suas tentativas de suicídio, era sexta-feira, exausta do trabalho, Ana não se estressava mais com as crises bipolares de Pedro Paulo, e sabia que minutos mais tarde, seu padastro iria bater na porta de seu quarto, desta vez em “forma de Pedro” oferecendo-lhe uma vitamina de maça e banana batida com leite no mesmo liquidificador assassino, como pedido de desculpas.
Ana entrou em seu quarto e na janela estava Edgar Santiago, sua iguana, contemplando a bela noite e o céu estrelado pressagiando um belo sábado que estava por vir.
Que noche! Como en los alpes de los Andes , era o que Ana ouvia de sua iguana doméstica latino-americana, ela o respondeu dizendo que já estava de saída, em uma sexta feira era difícil de não tomar aquela gelada no barzinho da esquina, Edgar respondeu com uma piscadela e um “No problem” , sim ele era poliglota, porém era como um aconselhador pessoal de Ana, pois ela teimava com tudo e com todos que podia conversar com Edgar desde o primeiro momento em que ela o viu, só que não pode provar isso para ninguém até então.
 Pronta e perfumada ela sai em mais um de seus embalos de sexta feira a noite, que na maioria das vezes se estendem e tornam-se embalos de sábado ao amanhecer; antes de sair Ana despediu-se de seu padastro e falou para Edgar tomar cuidado com predadores noturnos, pois ele estava dando sopa ali na janela no calar da noite, “Só mas una cigarrilha, muchacha” , foi a resposta do réptil autossuficiente.
Na bela manhã de sábado, Ana é despertada pelo barulhinho ensurdecedor de uma das janelas do bate-papo que acidentalmente ela tinha esquecido de fechar antes de sair para gandaia da noite anterior, furiosa para não dizer coisa pior, ela resolve ver quem a havia chamado e não teve como conter o riso do infame nickname do cidadão cibernético, era uma reverencia ao ator/lutador Bruce Lee, e algumas palavras em mandarim algo como: “Ivo_Lee 北方話”, com uma foto montagem do rosto da pessoa com o astro do cinema quebrando tijolos com as proprias mãos. Ana não deu a mínima importância e voltou ao seu sono, que até então era de poucas horas, para ela essa coisa de chats online era pura besteira e admite que fora influenciada por suas amizades a usá-los.

Sunday, April 15, 2012

Conheça Ana e seu companheiro Edgar Santiago


Ana Joyce Moraes:

Corpo franzino, cabelos vermelhos encaracolados, olhos verdes, lábios carnosos.
Ana gosta de: ervas medicinais, filmes eróticos (caseiros),pêssego em caldas, audiobooks, répteis, pão com mortadela e de roer as unhas do pé.
Ana não gosta de: toalha nova, homens que se depilam, de quem não gosta de répteis, ovos mexidos, almoço em família e chats online.
Ana Joyce trabalha como massagista e acupunturista, porém se formou em ciências sociais e já fez alguns bicos em diferentes áreas, desde de auxiliar em administração a gerente de um pet shop.
Gastou grande parte de seu tempo escolar como fundadora e presidente do grêmio estudantil da escola de sua cidade, com personalidade e gênio forte e um poder de persuasão fora do comum, Ana sempre fora respeitada perante aos colegas ou ao menos temida, como ela mesmo preferia ser; porém apesar de parecer uma pessoa rude ou insensível, Ana Joyce tinha um grande coração e uma ótima autoestima, somente os que tinham o privilégio de ter um contato mais próximo com ela poderiam vir a saber disso.
O verdadeiro pai de Ana até hoje nunca se soube a respeito, na vizinhança corriam boatos de que ele havia sumido com uma dançarina de funk e fora tentar a vida como MC nas periferias do Rio de Janeiro, isso Ana ainda tinha seus 2 anos, então viveu com sua mãe e seu padrasto bipolar Pedro Paulo, (o nome não era mera coincidência com a doença que sofria); Ana infelizmente só teve a imagem da figura materna até seus 7 anos, quando a noticia em que Maria Júlia Moraes, sua mãe, havia sido abduzida por seres extraterrestres em uma expedição que fizera pelos arredores na cidade de Varginha, se espalhava pelos jornais locais.
Mas Ana superou bem seus traumas de uma infância um tanto quanto conturbada, vive com seu padastro até hoje, no qual ela se da muito bem, isso depende muito da hora, do dia, ou se ele tenha tomado a medicação contra sua bipolaridade, Ana diz preferir as situações em que condizem com o personagem por ela chamado de Pedro”, separando o nome composto do padrasto e o transformando em dois nomes simples para zombar da tal patologia.
Além do padrasto, mais um ser divide o pequeno quitinete, ou melhor, este divide o quarto com Ana. Edgar, sua iguana mais do que estimação, a menina ganhara em seu primeiro emprego aos 14 anos em um pet shop, Edgar já possui seus mais de oito anos de vivencia e Ana jura poder conversar com o réptil desde o primeiro momento em que ela o conheceu, alguns amigos o chamam de louca ou põem a culpa em seu vasto interesse por ervas medicinais mas Edgar sempre foi um grande companheiro e aconselhador para todas as horas.
Ana Joyce tem tido uma vida tranquila ultimamente, porém o mesmo ciclo de amizades e de rotinas as tem deixado carente e se sentindo solitária, Ana tem recorrido a certos métodos que antes nunca lhe interessaram, mas isso só como uma tentativa dela conhecer alguém ou ao menos se distrair um pouco.

Edgar Santiago:

“Nascido” na casa de animais de “estimação” Pet Legal, Edgar só tem recordações de poucas coisas, obviamente que o dono do pet shop não iria deixar animais selvagens expostos em vitrines uma vez que os mesmos não tinha a autorização do IBAMA para isso. Edgar lembra de uma caixa de papelão e de seu irmão que ele mesmo nomeou de Ovo, pois foi a única forma em que o pobre réptil o conheceu. O dono do estabelecimento geralmente vinha comprando remessas de ovos de iguanas contrabandeados do Chile, segundo ele era a nova moda na época ter uma iguana como animal de estimação e isso estava lhe trazendo muito dinheiro.
O sobrenome autointitulado pelo próprio jovem Edgar se diz respeito a caixa de papelão em que ele e seu irmão Ovo moravam nos fundos da loja, na caixa lia-se, Fragile be careful! From: Santiago (Frágil, tome cuidado! de: Santiago, Chile) e não se sabe como que uma iguana latino americana que havia acabado de chocar-se de seu ovo já possuía o dom de ler, e ainda por cima em inglês.
Seu grau de interação com seres humanos é limitado, porém não é isso que sua dona pensa.
Edgar Santiago gosta de: frutas (em especial bananas), ler romances e filosofia, tomar sol, fumar cigarros com piteira e assistir ao Discovery Chanel.
Edgar Santiago não gosta de: caixas de papelão, ser zombado de seu sotaque levemente castelhano, comer ovos (em respeito a seu irmão), rações para répteis e de donos de pet shops.

Tuesday, April 3, 2012

Conheça Ivo


Ivo Neto Albuquerque:

Jovem de cabelos castanhos, estatura média e olhar levemente estrábico, formado em engenharia ambiental, trabalha fora da área, em um canal de vendas pela televisão.
Ivo gosta de: bolas de gude, selos, cartas de RPG, cavalos marinho, chats online, bolo de fubá, raspar o fundo da panela do bolo de fubá e piercing no umbigo (das mulheres)
Ivo não gosta de: guardanapos, descendentes de indianos, ketchup, livros de auto-ajuda e da letra “Y”.
Possui uma personalidade fraca e geralmente é influenciado pela opinião  dos outros ao seu redor, nunca fora o garoto mais popular na escola, mas sempre andava entre os mesmos; estudou inglês obrigado por seu pai Ivo Angelo Albuquerque Filho e fez 6 meses de mandarim por vontade própria, Ivo sempre se interessou muito sobre história geral e pela gastronomia oriental; pratica bocha desde de seus 9 anos, influenciado pelo seu avô Ivo Ilio Albuquerque; os nomes de seus parentes paternos explicam o porque do Neto” em seu nome, mas não explicam o porque de estar após seu primeiro nome e não no final.
Ivo e sua vida amorosa, estão sempre entre altos e baixos, um rapaz livre de preconceitos e desapegos materiais, já namorou e saiu com vários tipos de mulheres, desde de seu primeiro amor a coreana Xang Nonku, passando por vários outros rolos que a vida o proporcionou, recentemente acabou um duradouro relacionamento com a zimbabuana  Yusa Nyandouro, por motivos de ciúme a algum tipo de chat ou site de relacionamentos online, no qual Ivo passava grande parte de seu tempo livre se correspondendo com amizades jamais por ele visto.
Há de quem diz, que Ivo deixou algum descendente em algumas de essas aventuras, talvez as mais sexuais do que amorosas, como a da sadomasoquista francesa Sarah Duvach ou mesmo a ex-atriz pornô de Alagoas Robertinha Matos.
Em seu recinto profissional Ivo sempre fora elogiado, muitos pensam que seu poder de persuasão é demasiado influente nas suas vendas, mas tudo o que vemos na TV não é do jeito que realmente achamos, Ivo adora falar os truques que a televisão nos engana e dos textos e performances decoradas e ensaiadas que ele tinha que realizar e ele os conta em seu recanto de paz e sossego de sexta-feira pós expediente, o Mastro Bar.
Ivo gosta bastante de ouvir diversos tipos de música, desde de axé até mesmo jazz music nas horas de sossego. Se aventurou durante 7 meses e meio em aulas de violão no teatro municipal de sua cidade, mas logo desistiu, levava jeito para a coisa e chegou a fazer simples apresentações para poucos amigos e familiares, os amigos achavam que ele tocava ligeiramente bem, herdou seu primeiro e único violão de seu avo Ivo Ilio, esse sim, não tocava nada e demorou para descobrir que o violão não era um acessório ou um móvel de sua casa.
Ivo possui transtorno obsessivo compulsivo (TOC), possuía manias peculiares como as de usar duas cuecas as quartas e sextas feira, uma sobreposta a outra; estralar 3 vezes o dedão esquerdo do pé toda vez assim que acordava; e contar quanto segundos ele levava a cada vez que urinava, sem interrupções entre os jatos ;dentre outras várias manias.